A Polícia Federal realizou uma operação relacionada a uma suspeita de pirâmide financeira que poderia ter atingido cerca de 10 mil pessoas.
A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em Florianópolis nesta quinta-feira (22), durante uma operação que investiga suspeitas de fraudes milionárias envolvendo plataformas digitais de investimentos, criptomoedas e operações automatizadas por robôs. A investigação aponta que mais de 10 mil pessoas podem ter sido vítimas dos esquemas, que teriam captado recursos entre 2018 e 2020 no Brasil e no exterior.
A ação faz parte da Operação São Silvestre, que busca desarticular grupos suspeitos de organizar esquemas com características de pirâmide financeira. Além da Capital catarinense, os mandados foram cumpridos em outras cidades de Santa Catarina e de mais quatro estados brasileiros.
Em Florianópolis, foi cumprido um dos 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. As diligências também ocorreram em Blumenau, Pomerode, Indaial e Rio do Sul, em Santa Catarina; Curitiba, no Paraná; Álvares Machado, em São Paulo; Belo Horizonte, em Minas Gerais; e Jaboatão dos Guararapes e Recife, em Pernambuco.
As ordens judiciais foram expedidas pelo 3º Juízo da Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina.
Bloqueio de bens pode chegar a R$ 100 milhões
Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de 15 pessoas físicas e 13 empresas. A medida pode alcançar até R$ 100 milhões e tem como objetivo preservar o patrimônio investigado e assegurar uma eventual reparação dos prejuízos sofridos pelas vítimas.
De acordo com a investigação, as plataformas ofereciam aplicações financeiras com promessas de rentabilidade muito acima dos retornos habitualmente associados ao mercado. Os anúncios indicavam ganhos de 2% a 3% ao dia ou de 10% a 70% ao mês.
As ofertas envolviam supostos investimentos em criptomoedas e operações realizadas automaticamente por robôs. Esse modelo de divulgação teria sido utilizado para atrair investidores e captar dinheiro de pessoas em diferentes regiões do Brasil e também no exterior.
O período investigado compreende os anos de 2018 a 2020. A estimativa é de que mais de 10 mil pessoas tenham sido prejudicadas pelos esquemas suspeitos.
Investigação apura crimes financeiros e lavagem de dinheiro
Os investigados foram indiciados por suspeita de associação criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e crimes contra o mercado de capitais.
O indiciamento faz parte do procedimento investigativo e não representa, por si só, uma condenação judicial.
Com a Operação São Silvestre, a Polícia Federal busca reunir elementos sobre o funcionamento dos esquemas, a movimentação dos recursos e a participação dos envolvidos. O bloqueio patrimonial determinado pela Justiça também poderá contribuir para preservar valores que eventualmente sejam utilizados na reparação dos danos.
Vítimas podem encaminhar documentos à Polícia Federal
Pessoas que tenham realizado aportes nas plataformas investigadas e possuam documentos que comprovem os pagamentos podem colaborar com as apurações.
A Polícia Federal disponibilizou o endereço eletrônico denunciapiramides.iji@pf.gov.br para o recebimento de informações e documentos relacionados aos investimentos.
A operação desta quinta-feira mobilizou equipes em dez municípios brasileiros, incluindo Florianópolis, onde foi cumprido um dos mandados de busca e apreensão. A investigação envolve suspeitas de captação fraudulenta de recursos por meio de promessas de ganhos com criptomoedas e sistemas automatizados de investimento.



